Antilógica

Leitura concêntrica de "Código" (1973) de Augusto de Campos

Macondo Editora 2018 , Author(s): Patrícia Lino Antilógica book cover

Os ensaios ou artigos escritos sobre “Código” (1973) falham a análise etimológica do título e, por consequência, parte essencial da análise do poema. Limitada, e no entanto intrigante, é a leitura analítico-discursiva que parece ser, entre os críticos, opção única diante de um poema semiótico. A atenção, centrada unicamente na disposição e organização das letras contidas em “Código”, parece ignorar a dimensão visual que Augusto, de modo absolutamente polifónico, imprime ao objeto. 

A análise detalhada de “Código” apresenta-se, também por isto, como um exercício de reflexão sobre algumas das mais importantes questões levantadas pelo movimento concreto e pela recepção persistentemente errónea dos poemas concretos. Claro está, do mesmo modo, que um dos maiores problemas reavivados pela poesia concreta, a propósito da sua recepção, é a ausência de um sistema teórico-crítico de interpretação que garanta, em lugar de uma leitura unicamente analítico-discursiva, a tão-só leitura “sintético-ideogramática”  do objeto verbivocovisual.

A tendência fonocêntrica (não a preferência pelo significante linguístico — palavra escrita ou falada — em detrimento do significado; mas a preferência pelos limites convencionais fonéticos e gráficos do significante linguístico em detrimento da sua expansão visual) com que os críticos parecem encarar “Código” revela-se, ensaio após ensaio, problemática. 

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